quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Gripe Suina

Enquanto o Brasil já soma 129 óbitos por gripe suína, o Ministério da Saúde divulgou, no início da noite desta quarta-feira, um balanço defasado do número de mortes pela H1N1 no país. O órgão máximo da saúde brasileira levou em conta apenas os registros até o dia 1º de agosto, em que os números apontavam 96 óbitos.

Tal tentativa do governo de 'evitar o pânico' está sendo criticada com veemência pela classe médica brasileira. Para o infectologista Alex Botsaris, esta tentativa de amenização da pandemia prejudica uma melhor análise da doença.

- Acho que, desde o aparecimento da gripe suína, o Ministério da Saúde vem tentando minimizar o problema. Existe um lado compreensível, que é evitar muito pânico, mas tinham de ter em vista uma outra questão: uma informação mais precisa leva a um diagnóstico melhor da doença e a possível análise dos fatores que estão desencadeando em mortes - comenta o médico.

Ele lembra ainda que tal postura do Ministério pode vir a prejudicar a erradicação de futuras epidemias que venham a aparecer no Brasil

- O acompanhamento dos dados é importante não só para tratar dessa doença, como para cuidar de futuras novas moléstias. Imagine se surgir uma epidemia de gripe aviária, com uma forma mais letal. Certamente teríamos dificuldade em combatê-la - afirma.

Botsaris destaca também a precariedade do sistema de saúde brasileiro que, ao seu ver, não consegue chegar à boa parte da população, fazendo com que muitos casos de gripe suína não cheguem ao conhecimento das autoridades.

- Não existe um esforço do Ministério da Saúde para mandar agentes para descobrir e tratar novos casos de gripe suína. Certamente, se houver um empenho maior, será possível descobrir um número de casos e óbitos mais próximo do real - conclui.


Fonte : Flávio Dilascio, JB Online Terra.

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